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domingo, 2 de junho de 2013

E ao sexto dia o Homem criou deus e depois descansou (ou foi ao contrário? Baralhei-me?)


"E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou."
Gênesis 1:27

"E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto."

Gênesis 1:31


Photo by Diane Arbus - New Jersey 1963


"The thing thtat's important is that you never know, you're always sort of feeling your way"

Diane Arbus



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“To be nobody but yourself in a world which is doing its best day and night to make you like everybody else means to fight the hardest battle which any human being can fight and never stop fighting.” E.E. Cummings

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"Everything human is pathetic. The secret source of humor itself is not joy but sorrow. There is no humor in heaven." Mark Twain



Piano Broadwood (London 1940) by Lee Miller

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“To be nobody but yourself in a world which is doing its best day and night to make you like everybody else means to fight the hardest battle which any human being can fight and never stop fighting.” E.E. Cummings

"When humor goes, there goes civilization." Erma Bombeck



A bombed chapel (1940) by Lee Miller

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“To be nobody but yourself in a world which is doing its best day and night to make you like everybody else means to fight the hardest battle which any human being can fight and never stop fighting.” E.E. Cummings

"For my part I know nothing with any certainty, but the sight of the stars makes me dream." Vincent Van Gogh


Lee Miller by Man Ray

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“To be nobody but yourself in a world which is doing its best day and night to make you like everybody else means to fight the hardest battle which any human being can fight and never stop fighting.” E.E. Cummings

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Olha a ironia: agora vou ser um "local hero" capitalista... ahah



Photo by Helmut Newton

Pois, um gajo consegue ter uma eficácia de 100% e ajuda uma proprietária a vender uma penthouse em tempo record e só por isso já se está mesmo a ver que terá de ir ao palco daqui a uns tempos... acho que vou arranjar uma desculpa qualquer... malta, please, eu sou mais do tipo filósofo eremita! Bem, se tiver mesmo de ir, num momento contraditório e para me inspirar, vou pensar no(a) proprietário(a) (ou comprador(a) ou arrendatário(a)) mais contraditório(a) que conhecer. Deixa cá ver... hum...


"The essence of humanity's spiritual dilemma is that we evolved genetically to accept one truth and discovered another. Is there a way to erase the dilemma, to resolve the contradictions between the transcendentalist and the empiricist world views?" E. O. Wilson

  
"Contradiction and struggle are universal and absolute, but the methods of resolving contradictions, that is, the forms of struggle, differ according to the differences in the nature of the contradictions. Some contradictions are characterized by open antagonism, others are not. In accordance with the concrete development of things, some contradictions which were originally non-antagonistic develop into antagonistic ones, while others which were originally antagonistic develop into non-antagonistic ones."
"The only way to settle questions of an ideological nature or controversial issues among the people is by the democratic method, the method of discussion, of criticism, of persuasion and education, and not by the method of coercion or repression."
Mao Zedong "On Contradiction" (August 1937), Selected Works

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“To be nobody but yourself in a world which is doing its best day and night to make you like everybody else means to fight the hardest battle which any human being can fight and never stop fighting.” E.E. Cummings

segunda-feira, 1 de abril de 2013

"(...) uma luz fugaz, distante e frágil, tão improvável como a redução parcial da quantidade de entropia no cosmos"

Em cima: foto de Brian W. Ferry, tirada com uma máquina avariada
Em baixo: autor desconhecido

"(...) Então, revelando uma de minhas “qualidades”, dissera ser capaz de “compreender as pessoas”. Conseguiria enxergar o interior delas. Recebi reações de protesto. Como assim, “compreender as pessoas”? Quer dizer, como assim, me compreender? O conteúdo do protesto então carrega-se de objeções, e não objeções quaisquer, mas objeções igualmente sinceras: “Não és prepotente, arrogante e presunçoso” por declará-lo? Queres me tornar o teu rato de laboratório, queres me transformar num objeto de investigação? Queres, afinal, negar-me a minha humanidade?

É um temor generalizado de uma necessidade generalizada. Isto é, se alguém me entende, ou me compreende, isso lança dúvidas sobre a necessidade bastante humana de sentir-se ilimitado. Algo bastante grave: o “sentir-se ilimitado” parte da própria recusa da morte. É a “sensação oceânica” de que fala Freud, referindo-se à religião. E qual o efeito fundamental da religião? Neutralizar-nos e nos separar da morte, da finitude absoluta, subtraindo-nos dela e tornando-nos imunes por uma via ideal – vida eterna, reencarnação, pertencimento a algo maior, extraterreno, em uma palavra, ilimitados. O que não se restringe à religião, mas realiza-se também em qualquer atividade simbólica. Trata-se de transcender a própria limitação e a própria finitude. “Ilimitado” anda de mãos dadas com indeterminado, que suscita liberdade. Mas se “entendes” alguém, mesmo se a “compreenderes”, tacitamente o compreendido sente-se “limitado”. A compreensão de si lhe acomete como uma prova da limitação da extensão de si; choca-o como se o reduzisse a um cálculo preciso de sua amplitude; profana-o como uma declaração obscena de sua finitude e limitação humanas.

O compreendido então sente-se nu. Ele sente-se violado, usurpado pelo compreensivo; tudo se passa como se este detivesse um poder absoluto, tirano, sobre o compreendido. Pois a incompreensão é, de certa forma, uma garantia de nossa integridade frente a outra pessoa. São as fronteiras do “Eu”, cujo mistério converte-se numa garantia da autoestima individual, isto é, em um valor do qual depende a própria afirmação individual, o próprio bem-estar. É como se, afinal, o indivíduo precisasse manter-se destacado de outrem e recluso em um núcleo distante das fronteiras que o separam dos outros e de todo o mundo externo; fronteiras que são, afinal, o horizonte que a coletividade pode enxergar. Isto é particularmente óbvio em um contexto obscuro, em que vivemos perseguidos e atormentados em cada e a todo instante pela frustração e pela traição do exterior.

É o medo da maldade. O medo de fornecer chaves a um estranho; e quando está em jogo o mais íntimo de si, tememos dar chaves até a nós mesmos. Nos refugiamos de nossa própria consciência o tempo todo, a mente luta consigo própria; não raro a consciência se perturba e se cansa da própria presença. Como, então, inserir um microscópio no cerne do próprio coração, e convidar outros a perscrutá-lo? É o fim. É a morte.

Portanto, não se pode entrar nestas fronteiras. Mas para cometer a invasão e consumar esse crime ontológico, basta lançar um olhar: a fronteira é obscura; lançar luz em seu interior é como forçar uma greta em um biombo e vigiar criminosamente um corpo completamente despido – mas pior, pois ali está nu o mais íntimo de si, a integridade, o núcleo de tudo o que se é, e o que se sente, e se pensa, e se intui, e se espera ser.

O indivíduo compreendido não pode, afinal, aceitar sua “finitude”. Algo precisa ser feito. A insatisfação intolerável oriunda dessa consciência converte-se em culpa, e a culpa é lançada sobre aquele que compreende. Havendo um culpado, tudo se passa como se parte do mistério, isto é, da infinitude, fosse restituída. Mas há algo além. Mesmo se, contra todas as suas resistências, o compreendido acreditar em sua finitude, mesmo se a contra gosto ela lhe for indiscutível, então não bastará a exteriorização da culpa. Sua purificação demandará algo mais. Logo, a culpa adquire uma nova dimensão e tudo se passa como se o compreendido não fosse limitado, mas como se o compreensivo lançasse a finitude sobre ele, como uma maldição. “Ela não existia em mim, não preexistia, não fazia parte de mim; foi ele que me tornou assim. Ele não abriu meus olhos para o detestável; ele incutiu o detestável em mim.” Então, o compreendido sente raiva. E, com sua raiva, expurga o sofrimento da finitude. Odiando aquele que o compreendeu eu anulo a fonte da minha finitude e conservo a extensão de mim mesmo, e meu mistério, e minha integridade. Odiando-o, posso continuar senhor de mim mesmo.

E assim, mesmo se nobre, sincero, terno, bondoso, positivo; mesmo se repleto de possibilidades de satisfação e engrandecimento, o ato de compreensão acaba instigando na verdade os fantasmas que atormentam o compreendido.

Porém, ao mesmo tempo, precisa-se ser compreendido. Há poucas aspirações, impulsos, seduções mais intensas do que ser compreendido. Quando compartilhamos coisas caras com outrem, é a compreensão que se busca; é o reconhecimento externo do valor de algo de si; é, em uma palavra, cumplicidade. O indivíduo quer se ver refletido; ele quer ver sua vida vivendo fora de si, e ter assim comprovada a sua infinitude. A cumplicidade surge à mente como a própria solução do problema ontológico. A compreensão amplifica o ser humano. Ela o torna imortal. Ele precisa desse conforto, dessa segurança; de que ele não é o único que vaga só; que pode segurar em uma mão e amparar-se na escuridão adentro. Ademais, o indivíduo é incompleto e por ser incompleto não pode insular-se. Insulado, ele sofre o vazio ontológico, a solidão dilacerante. Mas o outro é vil; ou assim se acredita. Então, como pode ser diferente? A obscuridade persiste. Preciso de luzes, preciso de apoio, mas aqueles que podem fornecê-los mentem – e precisam mentir, pois também temem que eu minta, e os traia e os use. Assim, a compreensão produz seu oposto. Em vez de representar a vida fora de si, assume a forma do próprio espectro da morte.

Então, decorre que nada é mais terrível do que a solidão completa… salvo ser compreendido. E o amor torna-se aversão e rancor. Nossa grande felicidade se transforma na fonte dos maiores tormentos. E passa-se a evitar precisamente o que mais se precisa. E me afasto de quem amo; e me aproximo de quem não me ama, e não me compreende, pois assim estou seguro do pior – embora infeliz e incompleto.

Tudo seria diferente se fossemos, também, um cúmplice do compreendido. Se o tesouro a nós entregue, ainda que sem querer, fosse ampliado e retornasse ainda mais rico ao compreendido, e assim reciprocamente. Este é, em uma palavra, o amor que a humanidade busca. É o objetivo tácito da cultura, da sociabilidade; a razão ulterior de indivíduos associarem-se em sociedade. Essa amizade, ou melhor, essa cumplicidade, essa oposição complementar mutuamente benéfica entre consciências distintas, é o objetivo da mente e da sociedade incompleta e, como os esporos de vida em sua perseverança desesperada no vasto universo hostil, consiste em uma luz fugaz, distante e frágil, tão improvável como a redução parcial da quantidade de entropia no cosmos. Espera-se, contudo, que assim como eventualmente operam-se milagres em frações dos corpos celestes e a entropia cede e diminui momentaneamente, criando-se casulos de equilíbrio e harmonia dos quais surge a própria vida, espera-se que tal cumplicidade, igualmente improvável, seja de alguma forma realizável."

Texto de Fernando Baptista Leite, blogger brasileiro

quinta-feira, 14 de março de 2013

Sonhos de grandeza humana



"Dreams of packing it all in" by Slinkachu

"deus", o chupa-chupa da humanidade


Hoje de manhã fui dar uma vista de olhos pela blogosfera e pelas reações ao novo papa. O costume.
99 % da blogosfera não é mais do que pequenez a céu aberto, é como se cada um de nós editasse um jornal e as bancas fossem invadidas por milhões de jornais. Uma espécie de amplificador de conversa de café, de conversa de vizinhos na escada. Pode ser interessante como objeto de estudo mas torna-se deprimente quando a falta de clarividência é aflitiva. E o que mais custa é ver pessoas aparentemente inteligentes a degradarem-se pelo processo e pela convivência e tornarem-se cada vez mais infantilóides, sem regresso.

De facto, a grande maioria dos cidadãos não consegue ver o que é a igreja e o que representa. Já estão tão cegos, a igreja já tocou tão fundo na sua educação, já foram a tantas aulas de moral e religião, a tantas missas, "compraram" tantas mentiras, que perderam a capacidade de ver a realidade dos factos, acham que são umas pessoas boas ao serviço de "deus" que querem o bem dos pobres, quando a igreja é apenas uma instituição "terrena" que se auto-perpetua através da "evangelização" e que tem de ser analisada por critérios "terrenos". E é terrena porque não há "céu" nem "deus", ok? Dah!

É uma instituição que degrada o homem porque lhe impõe o conceito de pecado e foi perversamente concebida para enfraquecer os fortes, corroê-los por dentro e depois fazer dos fracos, fortes como os primeiros mas neste caso, fortes-hipócritas, que é o que são os clérigos. 
A perversidade da igreja está bem patente na recuperação de toxicodependentes: drogados à entrada, crentes à saída.

Mas a contaminação ocidental já é tão grande que nem vale a pena discutir estes assuntos com "crentes".


Little people project by Slinkachu

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

You are my dear door. Don't shut yourself. Trust nobody but me.


Doors


An open door says, “Come in.”
A shut door says, “Who are you?”
Shadows and ghosts go through shut doors.
If a door is shut and you want it shut,
     why open it?
If a door is open and you want it open,
     why shut it?
Doors forget but only doors know what it is
     doors forget.



Carl Sandburg

 
Francesca Woodman - Untitled 1975-80
 
 
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Looking death in the face


“You only live twice:
Once when you're born
And once when you look death in the face.”

Ian Fleming, You Only Live Twice

"Few experiences are likely to affect us as profoundly as an encounter with death. Yet most deaths occur almost covertly, at one remove from our everyday lives. Death and dying are arguably our last taboos – the topics our society finds most difficult. We certainly fear them more than our ancestors did. Opportunities to learn more about them are rare indeed."
 
 
Life Before Death noch mal leben: portraits of the dying
Photographs by Walters Schels texts by Beate Lakotta
 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Mãe oh mãe, porque me deste a esta luz?


Dedicado à importância das mães (incluindo a Mãe Terra), para o bem e para o mal.



Foto: Karen Mirzoyan
 




 
Fotos: Julia Fullerton-Batten
 
"In my latest project, ‘Mothers and Daughters” I portray the complex and sometimes challenging relationship between a mother and her daughter. It is both documentary and biographical in nature, as it also illustrates memories of me and my two sisters’ relationships with our mother, and even our mother’s relationship with her mother.

I chose to work with real mother and daughter pairs in their own environment, rather than with models or actors. I only needed to orchestrate the sitters moderately to show the essence of their emotional bond. They created their own small world together, at the same time, through the staging of the scene, reviving my memories of my own family’s relationships.

As the project grew in shape, form and content, I related to twenty different mother and daughter pairs, with their very varied, sometimes ultra-sensitive relationships, and realised again how much the fragility and vulnerability of the female is exposed fully in the mother-daughter relationship.

Over passage of time it changes significantly. The babe-in-arms is fully dependent on the mother, but at the other end of the age scale, the mother often becomes dependent on her daughter to satisfy her emotional needs.

In the adult relationship the intimacy of the bond is established by the love, struggle and rivalry of a shared lifetime, leading to a mature understanding and acceptance of each other. Between childhood and adulthood, the full spectrum of emotions is played out. My images try to capture all of these very different stages in this extremely special and complicated relationship."
 

Julia Fullerton-Batten (artist statement on "Mothers and Daughters" project)
 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Desejem-me boa sor... não, justiça e imparcialidade


Vou sair agora para ir à tal "job interview" de que vos falei antes.
Ainda bem que vou ser entrevistado por uma mulher. É que se em vez de uma mulher fosse um homem o entrevistador e eu tivesse como concorrente uma candidata gira, não tinha hipóteses...
 
Duvidam?! Então vejam este vídeo.
Sim, é verdade, muitas vezes não pensamos com a cabeça...
Shame on us, men.

 
Photo by Helmut Newton
 

domingo, 9 de setembro de 2012

O facto mais surpreendente do Universo, quanto a mim: o Homem



Nem brutal
nem severa,
experimentas
a estranha euforia
e o ardor
do vento;
alta
e calma
e silenciosa,
por vezes perdida na
realidade resistente, sob
a resistência da luz,
para caminhares no meio da poeira,
na plena matéria viva.

Gérard de Cortanze
O Movimento das Coisas
Campo das Letras, 2002
Tradução de Isabel Aguiar Barcelos

 
O azul do mar desprende-se da água.
Dos ossos que cravei na realidade, onde pensava
que o mar se sustivesse e da qual sempre
supus também que o mar se alimentasse (de tal forma
por vezes o sentimos
encher-se de realismo), nem um só, mesmo pintado,
subsiste agora
que o tempo tudo apaga à minha volta.

Luís Miguel Nava
Poesia Completa 1979-1994
Publicações D. Quixote, 2002

Fotos de Antoine Verglas

O facto mais surpreendente segundo Vergílio Ferreira



Photo by Polixeni Papapetrou

"É curioso. Só se julga profundo o que disser coisas diferentes de toda a gente. E todavia a grande originalidade está em dizer as mesmas coisas, mas ao nível do espanto e maravilha que nos despertam. Toda a gente sabe que o homem é mortal, e que há bichos e plantas e estrelas e o mais, mas poucos vêem isso e se espantam de que seja assim. Conhecê-lo ao nível do extraordinário que aí existe, é raro como ser doido. A grande originalidade não é dizer coisas novas mas ser novo diante das coisas velhas."

Vergílio Ferreira