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domingo, 7 de abril de 2013

From non-living matter to Life: we never had a choice



Só sou livre quando uso da Palavra e digo:
"Não sou livre, nunca tive realmente escolha". 
Será?
Ilusão. Mesmo ao dizê-lo, digo-o por necessidade. Não, não sou livre, não somos livres. Se fossemos livres não seríamos deste Universo, estaríamos "desencadeados", fora do Tempo.
Só deus seria livre e esse não existe, é outra ilusão.
Aspiremos pois, não à ilusão da liberdade-de-deus, mas à consciência da necessidade.
A consciência da necessidade é que faz de nós humanos.







"The concept of revelation - in the sense that suddenly, with indescribable certainty and subtlety, something becomes visible, audible, something that shakes one to the last depths and throws one down - that merely describes the facts. One hears, one does not seek; one accepts, one does not ask who gives; like lightning, a thought flashes up,  it comes of necessity and unfalteringly formed - I never had a choice."


Friedrich Nietzsche, Ecce Homo ("Thus Spoke Zarathustra," section 3)



Nas fotos: Olivia Lefebre

sábado, 26 de maio de 2012

A maçã, a mulher e a Vontade




A maçã cai da árvore. Cai em direção à Terra.
Mesmo que fosse uma maçã pensante não teria escolha na direção a tomar.
Só pode cair para a Terra.

A maçã foi apanhada pela mulher. Esta, sozinha no pomar, decidiu como tinha de decidir, não poderia decidir de outra forma: impôs-se a sua necessidade interior, a mais forte e agiu de forma a apanhar a maçã.

"You can do what you will, but in any given moment of your life you can will only one definite thing and absolutely nothing other than that one thing."
Arthur Schopenhauer, "On the Freedom of the Will"

Mas e se... antes de apanhar a maçã, ela ouvisse a voz de um observador:
"Cuidado, está envenenada! Vais morrer..."

Ouviria e decidiria como quisesse, perante essa informação. No entanto, não teria sido ela que teria querido decidir assim, de "livre vontade".
Teriam sido os eventos internos e externos que determinariam tal decisão.

"Man can do what he wills but he cannot will what he wills" 
Arthur Schopenhauer, "On the Freedom of the Will" 

De facto, tudo o que acontece tem uma causa. Nada é "livre" de acontecer.

O estóico Crisipo de Solis (Atenas, 280 - 208 a.C) chegou a dizer que um único acontecimento sem causa introduzido no Universo levaria à desintegração do Cosmos:

"Everything that happens is followed by something else which depends on it by causal necessity. Likewise, everything that happens is preceded by something with which it is causally connected. For nothing exists or has come into being in the cosmos without a cause. The universe will be disrupted and disintegrate into pieces and cease to be a unity functioning as a single system, if any uncaused movement is introduced into it."


Moral da história:

Meus amigos, antes de decidirmos devemos procurar a informação de melhor qualidade, devemos dar ouvidos à opinião dos mais inteligentes, dos melhores à nossa volta, abrir o raciocínio a todos os seus  argumentos.
Devemos procurar para além do rebanho que nos rodeia. Porque os que nos rodeiam são a barreira que nos limita.

A seguir é só deixar que a decisão se imponha em nós e agir pelo instinto que ela gerou. Sem medo de nos tornarmos diferentes.

Se agirmos desta forma a Vontade de Melhorar materializar-se-á em ações.
E vamos evoluir e fazer evoluir.

Porque com Vontade vos digo: nunca decidimos. Isso é pura ilusão interior.
Somos é sempre... decididos. 

E por vezes, quando pretendemos ser nós a decidir, depois não agimos de forma decidida.
É que nos impusemos à decisão e não deixámos que a decisão se impusesse a nós...