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domingo, 30 de junho de 2013

Se estás gira?


Ela queria saber se ele ainda a achava atraente. Se ainda havia aquela química entre eles, feita de antagonismos e impossibilidades, que tinha resistido ao passar dos anos.
Queria saber se ainda incendiava o coração dele. Se ainda a desejava, apesar de estar diferente, controlado, mais fechado e distante. Ela pressentia que um dia ele podia não mais voltar a aparecer. Precisava de testar se ainda atraía o seu confidente e companheiro de comunicação, sempre silenciosa e verdadeira, telepaticamente longe da mentira das palavras ditas.

Será que ainda conseguia fazer com que viesse "a jogo"?
 
No fundo, queria saber se ele ainda a amava, o que quer que isso quisesse dizer.
Ou, posto de outra forma, se ainda tinha poder sobre o seu antagónico e impossível parceiro.
 
Ele respondeu-lhe com um sorriso enigmático quando a viu aparecer à sua frente.
 
 
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“To be nobody but yourself in a world which is doing its best day and night to make you like everybody else means to fight the hardest battle which any human being can fight and never stop fighting.” E.E. Cummings

quarta-feira, 6 de março de 2013

E o Amor? E a Morte?


Quem não desejou já uma história de amor surreal? Daquelas com um final feliz imaginário e impossível? Quem não quis que a sua vida fosse um grande filme?


Podia contar-vos que um dia imaginei encontrar uma história assim mas nunca mais vi o objeto da minha ilusão, o blogue dela foi abandonado, o facebook desapareceu, aliás nunca deve ter existido. Tudo fruto da minha imaginação e a minha imaginação deu uma grande confusão. Na verdade não sabia nada dela, nunca me falou nada da vida dela, como podia dizer que a amava?! Que loucura! E isto já foi há muitos anos. Já nem sei se estou a falar-vos verdade se estou a inventar. É  tudo muito confuso... O que é a realidade afinal? Qual o Sentido de tudo isto?

Uma coisa eu sei: o amor é muito complicado, demasiado complicado.  Porque amar é sofrer. Para evitar sofrer, não se deve amar. Mas então sofre-se por não amar. Ou seja, amar é sofrer e não amar é sofrer e ... e... dasse, não consegui apontar tudo, tenho de ver o vídeo de novo:


E depois há a Morte: para quê amar se depois morremos todos, amantes e não amantes?!
Mas Woody Allen explica muito bem, ele próprio cada vez mais velhinho e próximo da Morte... e que perda vai ser quando ele desaparecer.



sábado, 16 de fevereiro de 2013

It seems there is someone to everyone, indeed! ah ah


As mulheres são muito pragmáticas na altura de escolher parceiro, não são? Aliás no fundo poderíamos considerar o sexo feminino (90% das mulheres, vá) como o maior responsável pelo estado a que chegou a humanidade. Não só não abortaram determinado tipo de pessoas como se dispõem a reproduzi-las. Sim, a reproduzir os chicos-espertos gerando chicos-espertinhos.

Mas não sejamos tão duros com a Marta. Afinal o Miguel é amigo do chefe dela, tem poder efetivo (tem um carro preto com motorista e tudo!) e poder de influência, é romântico, frequenta o ginásio e até é ele que cozinha! Aposto que as nossas bloggers trintonas e quarentonas que tanto o criticam, se aparecesse um tipo assim lá no local de trabalho delas que lhes desse uma ganda música, caíam que nem patinhas, como a Marta. Será? Não sei, vejo algumas tão carentes e infelizes...

Hum... mas esperem... olhando para a fotografia do canto inferior esquerdo e para o ar frio e calculista dela... será que foi ele que caiu que nem um patinho? Whatever.


Ele até cozinha, mulheres!
 
 
 
 
            

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Love, sex, friendship and a light movie


“Maybe you could be mine / or maybe we’ll be entwined / aimless in this sexless foreplay.”

― Jess C. Scott, EyeLeash: A Blog Novel


 
 
“But when a woman decides to sleep with a man, there is no wall she will not scale, no fortress she will not destroy, no moral consideration she will not ignore at its very root: there is no god worth worrying about.”

― Gabriel Garcí­a Márquez, Love in the Time of Cholera
 
 
“You cold or something?' he said. She strained against him; she wanted to pass clear through him: 'It's a chill, it's nothing'; and then, pushing a little away: 'Say you love me.'
I said it.'
'No, oh no. You haven't. I was listening. And you never do.'
'Well, give me time.'
'Please.'

He sat up and glanced at a clock across the room. It was after five. Then decisively he pulled off his windbreaker and began to unlace his shoes.

'Aren't you going to, Clyde?'
He grinned back at her. 'Yeah, I'm going to.'
'I don't mean that; and what's more, I don't like it: you sound as though you were talking to a whore.'
'Come off it, honey. You didn't drag me up here to tell you about love.'
'You disgust me,' she said.
'Listen to her! She's sore!'

A silence followed that circulated like an aggrieved bird. Clyde said, 'You want to hit me, huh? I kind of like you when you're sore: that's the kind of girl you are,' which made Grady light in his arms when he lifted and kissed her. 'You still want me to say it?' Her head slumped on his shoulder. 'Because I will,' he said, fooling his fingers in her hair. 'Take off your clothes--and I'll tell it to you good.”

― Truman Capote, Summer Crossing
 

sábado, 3 de novembro de 2012

Entre parênteses II - Aprender a amar


 
É preciso aprender a amar


"Que se passa para nós no domínio musical? Devemos em primeiro lugar aprender a ouvir um motivo, uma ária, de uma maneira geral, a percebê-lo, a distingui-lo, a limitá-lo e isolá-lo na sua vida própria; devemos em seguida fazer um esforço de boa vontade — para o suportar, mau-grado a sua novidade — para admitir o seu aspecto, a sua expressão fisionómica — e de caridade — para tolerar a sua estranheza; chega enfim o momento em que já estamos afeitos, em que o esperamos, em que pressentimos que nos faltaria se não viesse; a partir de então continua sem cessar a exercer sobre nós a sua pressão e o seu encanto e, entretanto, tornamo-nos os seus humildes adoradores, os seus fiéis encantados que não pedem mais nada ao mundo, senão ele, ainda ele, sempre ele.


Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que aprendemos a amar tudo o que amamos. A nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos são novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para nós do seu véu e apresentam-se a nossos olhos como indizíveis belezas: é o agradecimento da nossa hospitalidade. Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido."

 
Friedrich Nietzsche, in “A Gaia Ciência”
 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

sábado, 5 de maio de 2012

É preciso aprender a amar



"Que se passa para nós no domínio musical? Devemos em primeiro lugar aprender a ouvir um motivo, uma ária, de uma maneira geral, a percebê-lo, a distingui-lo, a limitá-lo e isolá-lo na sua vida própria; devemos em seguida fazer um esforço de boa vontade — para o suportar, mau-grado a sua novidade — para admitir o seu aspecto, a sua expressão fisionómica — e de caridade — para tolerar a sua estranheza; chega enfim o momento em que já estamos afeitos, em que o esperamos, em que pressentimos que nos faltaria se não viesse; a partir de então continua sem cessar a exercer sobre nós a sua pressão e o seu encanto e, entretanto, tornamo-nos os seus humildes adoradores, os seus fiéis encantados que não pedem mais nada ao mundo, senão ele, ainda ele, sempre ele.

Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que aprendemos a amar tudo o que amamos. A nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos são novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para nós do seu véu e apresentam-se a nossos olhos como indizíveis belezas: é o agradecimento da nossa hospitalidade. Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido."



Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"