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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Altere-se a Lei da Greve!


A AHP (Associação de Hotelaria de Portugal) pretende ver a lei da greve alterada.

Apoio totalmente essa pretensão.
Aliás, os argumentos da associação são muito semelhantes aos que ontem aqui deixei expressos.

Lê-se no comunicado da Associação de Hotelaria de Portugal:


“Não podemos ficar “reféns” de uma lógica passada de defesa de um direito constitucional que se sobrepõe à evolução que o mundo sofreu”, sublinha a AHP em comunicado à imprensa, explicando que “a situação crítica gerada pelo anúncio das greves e a intervenção do tribunal arbitral no sentido de fixar “serviços mínimos” muito redutores, obriga a colocar em cima da mesa a alteração da Lei da Greve”.

"Para a associação, “ainda que os controladores aéreos e os pilotos da TAP tenham recuado nas greves, parte dos prejuízos para o sector do turismo são já irreversíveis”, o que se traduz nos inúmeros cancelamentos registados.

“Para lá dos impactos directamente económicos, acrescente-se o impacto que a concretização das greves tem no emprego, na falência das empresas, as oportunidades que perdemos do país se afirmar e ganhar quota perante outros destinos concorrentes, a má imagem que a desestabilização social projecta. De resto, os motivos invocados eram de difícil compreensão e os grupos socioprofissionais envolvidos são claramente privilegiados relativamente aos demais”, considera Miguel Júdice, presidente da AHP.
"  (...)


O sublinhado é meu.

Ver aqui: AHP quer alteração à lei da greve



Os privilegiados gostam de fazer greve no verão.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Déjà vu: greve dos pilotos foi desconvocada


A administração da TAP reuniu com os pilotos...


... e (presume-se) que tenha cedido uma vez mais.

Como é habitual, nada se sabe sobre a reunião e o "acordo", algo a que já estamos habituados.

Dizemos que a administração deve ter cedido porque a greve foi desconvocada.
Como os pilotos se estão a "borrifar" para a empresa e para o país, para desconvocarem a greve só podem mesmo ter levado a melhor...

É inadmissível este manto de silêncio sobre o "acordo".
Seria da mais elementar transparência que se soubesse o que a administração ofereceu aos pilotos desta vez, dado que somos todos nós, contribuintes, que sustentamos os capitais próprios negativos da TAP SGPS - mais de 200 milhões de euros - assim como o passivo de 2351 milhões de euros (números de 2010).

Que tristeza: a TAP e todo o país continuam reféns destes 800 senhores...



Agora reparem na definição de extorsão:

"Extorsão é o ato de obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, por meio de ameaça ou violência, com a intenção de obter vantagem, recompensa ou lucro."

É interessante verificar como a tática do pré-aviso de greve, pré-aviso esse causador por si só de milhões e milhões de euros de prejuízo para a empresa (técnicamente falida) e para o país, tem resultado sempre a favor dos pilotos.
As perdas estimadas para a TAP  são de pelo menos 10 milhões de euros por pré-aviso.
Os custos para o turismo são incalculáveis!

Vejam bem como os pré-avisos de greve se transformam em arma extorcionária nas mãos de pseudo-elites de funcionários estatais privilegiados e sem escrúpulos:

4 de Julho de 2012: desconvocada a greve com início marcado para 5 de Julho

21 de Junho de 2012: pilotos entregam pré-aviso para 5-8 de Julho e 1-5 de Agosto

16 de Dezembro de 2011: pilotos desconvocam greve marcada para Janeiro de 2012

8 de Dezembro de 2011: pilotos desconvocam greve de Dezembro mas mantêm a de Janeiro

15 de Novembro de 2011: pré-aviso de greve para 9 de Dezembro

23 de Março de 2010: greve marcada para 26 de Março desconvocada

11 de Março de 2010: pré-aviso de greve para as férias da Páscoa


... etc, etc, etc...


Digam-me, isto é admissível?

A lei da greve, essa "vaca sagrada", tem de ser alterada!

E alterada de forma a que estas pseudo-elites privilegiadas do estado, não usem e abusem com desfaçatez e enormes prejuízos para a comunidade, de uma "arma" concebida para proteger as classes trabalhadoras mais desfavorecidas.

A lei poderia estipular, por exemplo, que não tinha direito à greve quem tivesse vínculo laboral ao estado e auferisse vencimento superior a um secretário de estado (cerca de 3500 euros). Em vez disso poderia ter acesso a condições especiais caso quisesse rescindir unilateralmente o contrato com o estado, por estar insatisfeito.

Mas do mal o menos: a greve foi desconvocada e fiquei contente.

Tão contente que vou oferecer uma prenda aos pilotos, na pessoa do presidente do SPAC.
Ainda não decidi o que vai ser...
Mas já sei que NÃO lhes vou oferecer este livro.

Não me parece que precisem.



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Arrogância até à insanidade


Digo-vos: eu evito andar "à pendura" com condutores arrogantes seja em carros ou motas.
Pessoas com esse perfil têm tendência a cometer erros.

A decisão está tomada: a TAP para mim acabou, como transportadora.
Meter os pés num avião pilotado por gajos que se julgam os maiores?! Só se fosse... crazy!

P.S.: Para perceber porque tomei esta decisão, ler o "post" anterior.


Entretanto, há 48 anos, a 2 de Julho de 1964...



... nesse "To Be Just José or not to Be Just José" o Destino quis que "desse"...


... "To Be!".


O problema é que, 48 anos depois, estou farto deste "To Be"!
Não sei, queria fazer outra coisa, fazer algo da minha vida! Queria afastar-me de estar sempre a "postar"  "To Be or not to Be", queria ser diferente!




(Viram? Outra vez o Hamlet de Kenneth Branagh... não há pachorra, que "ganda séca"!)


O que queria eu ser?


Gostava que a minha vida tivesse fama, dinheiro, "glamour", excitação, sexo...
Queria ser Bill Gates? Não... é pouco.
Queria ser como o Ronaldo? Nah...
Queria ser um Freud, um Nietzsche, um Einstein? Bah, que interessa isso?!


O que é mais que isso tudo? 
Amigos, não estão a ver?! 
Ser piloto de aviação civil! Ah pois é!


Mas não um piloto low-cost, não isso nunca...



Queria ser um piloto de luxo, com super-poderes e acima de toda a sociedade... piloto da TAP!
Não, não, melhor ainda, queria ser piloto da TAP e presidente do sindicato dos pilotos da aviação civil!


E até posso delirar e dizer que queria ter subsídio de férias e de Natal e que (quase) todos os outros trabalhadores do Estado não tivessem!
E queria decretar greves "à patrão" para poder vir a ter ações da TAP porque um político dos que desbarataram as finanças públcas me prometeu isso há 400 anos atrás!


Mas há mais no meu delírio: queria decretar "greves-de inveja" porque há colegas que foram aumentados em 40% e eu não! Lembrem-se da ironia, eu que ganharia cerca de 8600 € brutos em média e receberia subsídios de férias e Natal quando quem ganhasse 1000 € não receberia tais subsídios! 
Ahahah como seria arrogante! Mais! Mais! 
Lembrei-me de outra: queria decretar "greves-bullying" para afastar colegas! Ahahah


Que perverso seria!






E queria que no governo da Nação não ouvesse ninguém com tomates para dar um filho-da-puta de um murro na mesa e dizer "basta"! 
Queria que fossem todos uns cabrões de uns moles! Ahahah


Esperem, esperem! Mais! Mais!


E quando o país mais precisasse e existissem pessoas desesperadas com a crise, teria o poder de decretar "greves-extorcionárias" cujo simples pré-aviso causaria milhões de euros de prejuízo à própria empresa que me paga e à hotelaria e restauração nacionais, geradoras de emprego sazonal!


Extorcionárias sim, vós sabeis, assim como aqueles senhores que chegam às discotecas e partem três garrafas e dizem ao dono "olhe, se você não quer um prejuízo maior, é melhor dar-nos o que queremos..."


Lindo, lindo, seria lindo!


Ah meus amigos, fazer parte de uma elite de 800... que delírio!


Claro que depois o céu seria o limite: sem ninguém para nos travar, continuaríamos a nossa cavalgada irrazoável e faríamos greves para que o presidente do sindicato fosse nomeado ministro dos transportes e depois greves para que o ministro dos transportes fosse Presidente da República por inerência.


Greves para baixar salários a todos os colegas e greves para que os comissários de bordo nos lavassem os carros ao fim-de-semana e as assistentes de bordo satisfizessem os nossos desejos com um estalar de dedos...


Ah meus amigos... To Be or not to Be a fucking arrogant bastard, that is the question.


Sabeis uma coisa? 


Eu era contra a privatização da TAP mas acho que o Estado Português é pequeno demais para a superioridade e genialidade dos nossos 800 Mourinhos-Voadores.


Não podemos cortar-lhes as asas! Seria um crime!


Privatize-se a TAP... JÁ, tipo MESMO JÁ! 
Por favor deixem os nossos génios voar livres para o céu profissional em Madrid ou para Bogotá!


Não, esperem, mandem-nos para a China e tragam pilotos chineses para cá. 
Já tinha a certeza que os pilotos chineses seriam menos arrogantes, agora fiquei a saber que também são mais bonitos...