Mostrar mensagens com a etiqueta albert camus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta albert camus. Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de novembro de 2012

Mergulhar ou não mergulhar, eis a questão

 
«Até amanhã, pois, meu caro senhor e compatriota. Não, agora facilmente atina com o caminho; deixo-o nesta ponte. Nunca passo, de noite, numa ponte. É a consequência de um voto. Suponha, no fim de contas, que alguém se atira à água. De duas uma, ou o senhor o segue, para o tirar, e, em tempo de invernia, expõe-se ao pior, ou o abandona à sua sorte e os mergulhos retidos causam por vezes estranhas cãibras. Boa noite! Como? estas damas, por detrás das vidraças? O sonho, meu caro senhor, o sonho com pouco esforço. Estas criaturas perfumam-se com especiarias. Entra-se, elas correm as cortinas e a navegação começa. Os deuses descem sobre os corpos nus e as ilhas vão à deriva, dementes, encimadas por uma cabeleira desgrenhada de palmeiras ao vento. Experimente.»

Albert Camus
A Queda
Livros do Brasil, s/d
Tradução revista de José Terra


 

domingo, 26 de agosto de 2012

A falácia do Homem Livre


"Cá entre nós, a servidão, de preferência sorridente, é pois inevitável. Mas não o devemos reconhecer. Quem não pode fugir a ter escravos, não valerá mais que os chame homens livres? Por princípio, em primeiro lugar, e depois para os não desesperar. É-lhes bem devida esta compensação, não acha? Deste modo eles continuarão a sorrir e nós manter-nos-emos de consciência tranquila. Sem o que, seríamos forçados a voltar-nos para nós mesmos, ficaríamos loucos de dor, ou até modestos, tudo é de temer."
 
Albert Camus, in "A Queda"